Técnica de Dendrocirurgia
Dendrocirurgia é uma técnica que objetiva a recuperação de árvores, através da eliminação de tecidos necrosados, especialmente na região do tronco, com a posterior desinfecção através da utilização de fungicidas à base de cobre.
As cavidades resultantes, se amplas e profundas, são preenchidas com material de alvenaria com vistas a sustar a progressão da necrose e obter a cicatrização da lesão. Modernamente estão sendo experimentados materiais líquidos que têm a propriedade de se expandir no interior do tronco e preencher a cavidade, assumindo textura semelhante a de um isopor, que pode ser impermeabilizada e pintada com uma cor próxima da do fuste.
Este tratamento deve ser aplicado em casos muito especiais como: árvore considerada monumento histórico; árvore adulta de crescimento lento; espécies raras nativas ou exóticas.
Caso contrário, o replantio torna-se mais prático e econômico, já que estes tratamentos irão depender de muitos fatores que poderão desfavorecer o sucesso de sua aplicação, tornando incerta a aceitação da árvore aos tratamentos.
A prática deste tratamento requer pessoas habilitadas especialmente em práticas fitossanitárias para o emprego adequado de certos produtos químicos no combate de fungos apodrecedores, cupins, formigas e outros organismos aproveitadores de pequenas lesões presentes nas árvores.
Além disto, deve conhecer a capacidade de regeneração das espécies, idade da árvore, vitalidade ou vigor da espécie e grau de resistência da espécie aos ataques de fungos e insetos.
O diagnóstico em uma árvore pode ser feita da seguinte forma:
a) Observar se há galhos mortos, ou ponteiros secos, pode ser um sinal do ataque de brocas, cupins ou parasitas, como a erva-de-passarinho;
b) Examinar cuidadosamente o tronco principal, tentando detectar orifícios. Muitas vezes diminutos estes orifícios podem apresentar um pequeno rastro de serragem ou terra, denunciando brocas e cupins;
c) Verificar a possível existência de lesões superficiais de origem mecânica não cicatrizadas – podas mal feitas, mutilações, etc;
d) Examinar a possível existência de cavidades, tentando encontrar porções ocas sob a casca, ou por trás de grandes ferimentos. Esta região costuma apresentar madeira já bastante apodrecida, com sinais de colonização por insetos;
e) Verificar cuidadosamente, sobretudo o colo da árvore. As cavidades localizadas nessa região, tendem a ser fatais se não cuidadas a tempo;
f) Tentar detectar a presença de parasitas, como erva-de-passarinho, por exemplo. Mas lembre-se que samambaias, orquídeas e bromélias, entre outras plantas superiores, não são parasitas e sim epífitas, buscam apenas apoio;
g) Observar se há desfolhamento ou amarelecimento de porções da copa.
Sugestões de tratamentos
Para ferimentos superficiais:
Recortar a casca numa forma ovalada e eliminar os tecidos já comprometidos. A seguir esterilizar com calda bordalesa e aplicar um cicatrizante ao longo de toda a extensão da ferida. Existe um produto chamado “Mastique Dr. Moura Brasil”. Esses curativos devem ser refeitos periodicamente, até que se verifique a cicatrização com formação de calos.
Para ferimentos em grandes cavidades:
Fazer inicialmente uma raspagem, com remoção de todo o tecido apodrecido, até que seja encontrado tecido sadio. Em seguida desinfectar com pasta bordalesa, que é semelhante à calda, porém, mais concentrada. Depois, a cavidade deve ser preenchida com argamassa, feita com cimento colante.
Deve-se observar que o limite da obturação não deve exceder o limite interno da casca, para permitir o fechamento. E finalmente aplicar “Mastique Dr. Moura Brasil”, nas bordas da casca ferida, para auxiliar a cicatrização.
Para casos graves:
Quando uma árvore perde uma parte do tronco, seja exteriormente ou, na forma de uma grande cavidade, o que compromete sua sustentação. Nestes casos, é necessária a introdução de um núcleo mais rígido e apoio de sustentação.
Isso pode ser feito com a criação de escoras de concreto armado, mediante a instalação prévia de formas. Outro modo de se tratar o problema é a introdução de ferragens entrelaçadas no interior das cavidades.
Às vezes, forma-se sapatas ou fundações no solo, preenchidas com cimento, se o colo da planta estiver completamente oco.
Receitas caseiras
• Mastique: 200g de cera de abelha, 60g de breu, 25g de sebo de vaca. Derreta no fogo, mexendo com espátula. Conservar o vasilhame fechado ou em pequenos tabletes.
• Calda bordalesa: 100g de cal virgem e 100g de sulfato de cobre diluídos em 10 litros de água.
• Pasta bordalesa: 200g de cal virgem e 100g de sulfato de cobre. Dissolver a cal em 600mL de água e o sulfato em outros 600ml. A seguir, misturar as duas soluções.